quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O Músico Da Choupana
Era outono, o lugar, bem distante, em meio a tantos campos, havia uma velha choupana, abandonada para quem passava, alguns cavalos na volta, porém lá, morava um velho, jeito robusto, uma grande barba branca, grande músico instrumentista, um dos maiores que já existiu, no canto perto do fogão a lenha um toca discos, a canção, And I Love her, quem sabe, nem ele sabia, não se importava, pois era surdo, naquela fria noite chuvosa, acontecia mais uma vez algo rotineiro e especial, afinal, quem nunca foi um músico num dia de chuva? Seja com um velho violãozinho de cordas de náilon, ou apenas um cantor por alguns instantes ouvindo uma canção mais profunda (este segundo mais difícil com as atuais composições de dois versos iguais), sentado a beira do fogo, horas e horas, criando lindas melodias, com seu suave instrumento, viveu a vida toda assim, solitário, na sua vidinha pacata, mas feliz, sem amigos, pois um surdo não faz parte do padrão de ser humano normal, imposto pela sociedade, coitado, já nasceu no eterno silêncio... Calma aí, um músico surdo? Isso mesmo, aquelas belas composições, surgem de seus pensamentos, enquanto nós, escravos do dinheiro que, cada vez mais não conseguimos comprar sem nos vender, ele contempla em sua mente, como é linda a chuva caindo, que espetacular esses ventos que nunca erram de direção, que maravilhosos os campos verdes, que de tempos em tempos se cobrem de branco, e voltam ao verde, e mesmo sem ouvir nada disso, apenas com a pureza de um coração de trabalhador robusto, foi capaz de pensar tanta coisa, inimaginável para nós seres da selva de pedra, tudo isso sentado á beira do fogo, com seu belo instrumento, que nada mais era do que seu relógio de bolso, que há tempos já lhe condenou a velhice, com as suas velhas conhecidas notas, tic tac, tic tac, tic tac...
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